110 ANOS DE IMIGRAÇÃO JAPONESA

Em 05 de novembro de 1845, o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, assinado em Paris, mudou os rumos dos dois países, que oficialmente consolidaram as bases para a imigração japonesa no Brasil.

O navio KASATO MARU trouxe o primeiro grupo de imigrantes japoneses ao porto de Santos (SP), em 18 de junho de 1908. E se hoje a distância entre os dois países é grande, com mais de 17 mil quilômetros percorridos em cerca de 33 horas de voo, ela já pareceu maior: o KASOTO MARU levou 52 dias para chegar ao Brasil.

1 - Navio Kasato Maru aportado em Santos.

2 -Passageiros do navio Kasato Maru antes do embarque para o Brasil, na cidade de Kobe.

Em 2018, são comemorados 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil, uma história de desafios e superação.

No final do século XIX, o Japão implementou sua política de emigração para aliviar as tensões sociais, com a escassez de terra cultiváveis e alimentos e trabalhadores rurais cada vez mais endividados. O Brasil, por sua vez, vivia grave crise de mão-de-obra ao abandonar o regime escravocrata. Assim, a economia agrícola voltada para a exportação viu na imigração o caminho para suprir a escassez de trabalhadores.

Os governos dos dois países passaram a incentivar o acordo como modo de aliviar a situação em que ambos se encontravam. Assim, atravessando o oceano, iniciou-se a saga de famílias japonesas, que enfrentaram a barreira da língua e cultura, para construir sua nova pátria.

3 - A vida dos imigrantes nas fazendas de café.

4 - Cultivo de algodão

4 - Escola construída pelos imigrantes

Mesmo diante das adversidades, doenças, preconceito, condições precárias de trabalho e moradia, os perseverantes pioneiros foram conquistando os espaços nos diversos segmentos da economia, arte e cultura.

5 e 6 –  A partir dos anos de 1920, os imigrantes japoneses passam a desenvolver atividades nas cidades.

Já na década de 1930, o Brasil era considerado o país com o maior número de japoneses fora do Japão. Em 1973, quando cessou o fluxo imigratório, contabilizavam-se cerca de 200 mil japoneses no país.

O empreendedorismo nipônico, sustentado pelo cooperativismo e associativismo, imprimiu novos modelos no processo de produção agrícola, fundamentais para crescimento e desenvolvimento econômico do setor. A implementação de tecnologia aumentou a produtividade por área plantada, com técnicas como plasticultura, hidroponia e melhoramento genético. Novas culturas foram introduzidas, com frutas como maçã, ponkan, caqui, morango e hortaliças. Uma oferta que mudaria os hábitos de consumo dos brasileiros.

De geração em geração, as conquistas foram se somando e os nipo-brasileiros passaram a participar de diversos campos e segmentos da sociedade brasileira. A culinária, que causava estranheza, é considerada hoje uma iguaria gastronômica. Nas artes plásticas, influenciaram a cerâmica e a fotografia, além de apresentar a ikebana, origami, shodô, cerimônia do chá e odori (dança tradicional japonesa).

A presença da comunidade nipo-brasileira também é apontada pelo crescente interesse do Japão em investir na área industrial. Muitas filiais de empresas japonesas foram implantadas no país, associadas às empresas com presença de descendentes. Desta relação empresarial, muito se destaca como contribuição à cultura corporativa brasileira os valores de disciplina, planejamento e controle, resultando em melhorias e ganho de produtividade, fundamentais para modernização do parque industrial do país, além de transferência de tecnologia e formação de profissionais especializados.

Assim, em um passo de mais de um século, o povo japonês e o povo brasileiro encontraram um caminho de integração e respeito à diversidade, com cooperação cultural e tecnológicas, além de investimentos diversos.     

Fonte: Site WIKIWAND.COM | Museu da Imigração Japonesa

Imagens 1,2,3,4 e 5 pertencem ao acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil.

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